Dia desses ao voltar para casa de uma farra homérica, ouvi na rádio uma notícia sobre um pai que foi autorizado pela justiça a tomar de conta dos bens da filha pelo resto da vida. A filha, uma jovem que construiu uma fortuna em milhões de dólares, teve um ano um tanto conturbado, o que levou ao tribunal chegar a essa conclusão. Ao ser questionado sobre o que ele achava desta decisão judicial, o pai apenas respondeu: "Quando minha filha pensa em amor, ela esquece de si mesma; se é correspondida, se dedica apenas ao sentimento; se não é correspondida, se auto-destrói. Quando ela pensa em trabalho, ela cresce. E é o que ela está fazendo agora, pensando em si e no seu trabalho." Ou seja, o pai atribui a decisão judicial à mudança de pensamentos da própria filha, e não ao fator financeiro que a envolve.
Dias desses também, numa conversa com um amigo, tratávamos sobre as "certezas" e as "incertezas" da vida. Nesta conversa, coloquei que, ao que parece, fui moldada como a boa Administradora que devo ser. Nós, Administradores, não somos de fato preparados para as incertezas, pois sempre estamos com planos A, planos B, planos C... temos planos para tudo! "Incerteza" é uma palavra que não existe no nosso vocabulário. O fator surpresa é sempre previsível ao nosso ver. E o meu amigo me respondeu que "no mundo dos negócios talvez possamos fazer as coisas parecerem previsíveis, mas na vida pessoal, onde somos todos sentimentos e emoções, podemos esquecer o fator previsibilidade."
Talvez isso seja bem óbvio para muita gente, no entanto para mim não tinha sido, isso de que nos apegamos às incertezas pelo fato de que não conseguimos controlá-las. Já imaginaram quanto tempo se demanda pensar em um sentimento, quando poderíamos muito bem estar planejando começar e terminar um novo curso profissional? Tentem colocar um sobre o outro em escalas, e todos verão que muitas vezes perdemos tempo pensando sobre sentimentos, e não somente os ruins (estes principalmente), mas os bons também, quando poderíamos estar deslocando todas estas forças para algo que nos trouxesse estabilidade no futuro.
A conclusão à qual cheguei é a de que nunca teremos sentimentos estáveis, repito, não podemos controlá-los. Para os sentimentos, apenas o tempo para responder... Não gosto de esperar que o tempo me traga todas as respostas. A paciência, além da incerteza, também não existem em meu vocabulário. Mas, enquanto o tempo não responde, somos (ou deveríamos ser) puramente instinto. Isso é uma droga! Bom, pelo menos eu penso assim.. Não gosto de pensar que existe algo que possa me dominar. Que já me domina, sobretudo.
P.S.: O "pai" a quem me refiro no início do post é o Sr. Jamie Spears, pai de Britney Spears. A-háaa, se eu tivesse dito quem era, ninguém leria o post.