Did I cherish my moments?
Did I take a good enough bite?
What did I do with my life?"
Lenny Kravitz
Sou um parque de diversões macabro, cercado por paredes pintadas de ilusões, beleza e de falsas alegrias. Loucura? É tudo o que sei sobre a minha vida. A vida inteira. Planto interrogações nas mentes de pessoas decentes. Eterna, posto que é chama, nos devaneios oblíquos dos carentes. Eu me faço, e me desfaço, e me refaço. Nunca, mas nunca, me arrependo: e eis o primeiro vômito dos corretos. Da surpresa que é ser o que ninguém espera.
Ser o que se é, é ninguém se importar, nem você mesmo, com o que vêem do lado de fora. Porque se até Narciso acharia feio o que não é espelho, o único ensaio dos normais seria cuidar da própria vida e esquecer os cenários de Monet. Abandonei-vos, pois, todo o abstrato que nos mantém de pé, justo que somos escravos, não de nossos instintos, mas de nossas regras - aquelas que me aprisionaram por anos a fio, e nas quais não creio mais.
Embora que eu viva a pedir o calor do meu sangue, ainda que há vários anos já tenha tentado extinguir as minhas artérias, descobri a fórmula mágica. Eu sou o mal, a verdade e, logo, a tal da vida. Diz-me o que vale a pena, quando se há uma rocha em lugar de um cérebro e pedras de gelo no lugar de um coração?
Obrigada, Deus dos crentes, por me mandar anjos que conservam a minha sanidade, ainda que esta seja um almoço de domingo ou um copo de vodka às segundas-feiras no bar do Pereira. Definitivamente, eu me despeço do egoísmo para dizer que não faço a mínima idéia do que estou fazendo com a minha vida.



